10 maiores erros que fazem um currículo ir literalmente para o lixo

“Um currículo é um balanço sem passivos.” Robert Half

 

Como eu disse no post anterior, ter um currículo bem estruturado pode se tornar um grande diferencial na hora de encontrar aquela proposta de trabalho que você tanto deseja. E, pela perspectiva do recrutador, ou seja, de quem está contratando, o descuido com alguns pontos do currículo podem diminuir as suas chances, e muito, de você participar efetivamente de um processo seletivo interessante para a sua carreira profissional.

Assim, com base na minha experiência na área de recrutamento e seleção, selecionei para vocês os dez maiores erros que percebo que alguns candidatos cometem ao elaborar um currículo e que podem, efetivamente, prejudicar a sua recolocação em qualquer processo seletivo.

1) Contatos desatualizados ou com erros

Um currículo bem feito precisa ter as suas informações pessoais. Elas vão garantir que o recrutador tenha um conhecimento prévio sobre você. Algumas informações são básicas como o seu nome completo, seu endereço residencial, seus telefones de contato (e de recado, se houver e for necessário), seu e-mail e sua data de nascimento. Mas, se algum desses dados estiver incorreto, isso pode gerar sérios problemas para que o recrutador consiga entrar em contato com você e lhe convidar para uma entrevista. Diversas vezes já me deparei com currículos com os dados do candidato errados e não consegui entrar em contato com eles. O que aconteceu? Esses candidatos acabam sendo excluídos do processo. A maioria dos recrutadores não fica perdendo tempo com esses pontos básicos. Se não tem, eles logo passam para o outro candidato.

Outro erro bastante comum é o e-mail. O avaliador pode querer fazer o contato com o candidato também por e-mail ou por mensagens instantâneas (mensagem de texto ou whatsApp). Mas, esses contatos não estão atualizados ou se o candidato não tem o costume de verificar as mensagens constantemente, ele também pode perder a chance.

Para ilustrar isso, vou contar uma situação que presenciei. Certa vez coordenando um processo seletivo para um cliente, tentei falar por telefone com uma candidata para convidá-la para uma das fases do processo. Ela não atendeu e por isso, logo em seguida, mandei uma mensagem de texto solicitando um retorno se ela poderia participar da atividade na data proposta. Sabe o que aconteceu? Ela retornou a ligação uma semana depois alegando que só tinha visto a mensagem naquele dia e queria saber se poderia participar ainda da atividade. Ela foi dispensada, é claro, pois, além do avanço nas fases do processo seletivo, essa candidata não demonstrou interesse na vaga e na empresa.

Se por um lado não podem faltar dados, por outro também não pode haver exagero. Dados como número de CPF e RG são totalmente desnecessários, assim como a foto na maioria dos casos.

 

2) Clareza dos objetivos profissionais

O candidato deve deixar bastante claro em seu currículo quais são os objetivos profissionais que ele deseja alcançar naquele momento. Essa informação é fundamental para o recrutador, pois o auxilia a identificar se existe alinhamento entre a área de atuação desejada pelo candidato e a área que a empresa possui a vaga em aberto. Incluir esse dado bem estruturado e claro poderá lhe dar mais chances de conseguir ir para uma entrevista, mesmo que a sua experiência na área não seja tão extensa assim. Lembre-se que um bom texto e uma boa apresentação contam muito nesse ponto.

E isso está em falta! A grande maioria dos currículos que já analisei não apresentam essa informação clara, objetiva e concisa. Muitos candidatos, ao invés de indicar uma área de atuação, aproveitam esse espaço para descrever suas habilidades ou para fazer uma breve apresentação pessoal, esquecendo-se do mais importante.

Para aqueles que buscam uma recolocação em áreas diferentes tenho outra dica! Faça currículos com objetivos diferentes para cada área que você deseja buscar uma recolocação. Por exemplo, se você atua na área de administração e possui experiência para atuar na área financeira ou de gestão de pessoas, estruture dois currículos distintos, especificando em cada um deles os seus objetivos para aquela área específica e as suas experiências relacionadas. Dessa forma, o recrutador vai reconhecer sua intenção de desenvolvimento de forma positiva e assertiva.

 

3) Síntese das atividades realizadas

Profissionais com maior experiência de mercado podem destacar suas principais atividades desenvolvidas por meio de um texto sintético logo abaixo dos objetivos profissionais. Esse texto serve como um “resumo” das principais realizações profissionais executadas e conquistas daquele indivíduo. Para estruturar esse texto, faça um resumo das suas experiências profissional em tópicos de forma bem objetiva e sintética, sempre respondendo à sigla CAR (Contexto, Ação e Resultado).

 

4) Confusão na descrição experiências profissionais

A descrição das experiências profissionais é outro ponto importante do um currículo. É nessa parte que o recrutador vai verificar se o candidato possui bagagem profissional para assumir um determinado cargo. Para isso, o candidato precisa descrever, de forma sucinta e clara, quais foram as empresas, os períodos e as atividades que desenvolveu em cada experiência para que ele reforce as suas competências para assumir o cargo.

Dependendo da situação e do contexto, é preferível não incluir experiências que não tenham nada a ver com os objetivos referenciados no currículo. Mas isso deve ser analisado caso a caso. Isso porque não é recomendado deixar lacunas de tempo muito grandes nas experiências profissionais. Quem está contratando deseja saber qual a sua trajetória profissional relacionada á vaga em aberto.

Outro erro comum dos candidatos é inverter a ordem cronológica de apresentação das experiências profissionais. O mais indicado é organizar as suas experiências profissionais da mais recente para a mais antiga. Assim, se você possui três experiências nos anos de 2008, 2013 e 2016. Comece a descrição das suas experiências pelo último emprego, aquele que você finalizou em 2016 e termine com o de 2008. E não se esqueça de colocar os cargos que exerceu!

 

5) Exageros ao falar de si mesmo

O currículo não é lugar para você supervalorizar suas qualidades, competências ou fazer elogios a si próprio. Por isso, não sobrecarregue o seu currículo com adjetivos que denotem afirmações que remetam ao contexto de “eu sou o melhor”, “sou muito bom nisso ou naquilo”. Gabar-se sobre quão bom, ousado ou qualquer outra coisa que você é pode irritar e afastar o recrutador. Deixe que esse tipo de julgamento seja feito por quem analisar o seu currículo e o entrevistar. Você pode ressaltar suas qualidades, mas desde que seja com classe e prudência. Nesse sentido, você pode utilizar adjetivos mais concretos, como “ampla experiência”, “vivência sólida” ou “intenso contato com a atividade X” na síntese de qualificações.

 

6) Erros de português

Uma das coisas inadmissíveis em um currículo são os erros de português. É a nossa língua mãe e, como bons profissionais, temos que demonstrar domínio do idioma. Por experiência própria, diria que um currículo com erros de português “mata” todas as chances do candidato se manter em um processo seletivo. E para garantir que o texto permaneça com erros de português, não basta passar o corretor ortográfico disponível no programa de edição de texto. É imprescindível que o candidato revise atentamente os textos que escreve para observar a concordância nominal e verba das frases construídas.

Outra dica é não abreviar as palavras. Com o aumento do uso das tecnologias móveis e das mensagens instantâneas, as pessoas, e principalmente os jovens, estão acostumando a escrever abreviando as palavras, utilizando termos específicos da linguagem digital no dia a dia. Com isso, eles acabam se esquecendo de adequar a linguagem do currículo dentro das normas da língua culta. Se você quer ter um bom currículo, tenha um dicionário, uma gramática e uma porção de paciência à sua disposição para estruturar e corrigir o texto da forma necessária.

 

7) Formatação (falta ou exagero!)

Nem para mais, nem para menos. Essa é a regra da formatação. Às vezes as pessoas querem inovar na formatação de seus currículos, colocando-os com fontes e formatações diferenciadas, mas acabam dando um “tiro no próprio pé”. Por isso, escolha uma fonte clássica, como Trebuchet ou Arial (isso porque, ao contrário de outras pessoas, eu detesto Times New Romam!). Use, com sabedoria, dos tópicos de texto. Assim, você poderá deixar as informações mais visíveis e dar o destaque necessário ao texto.

Outro detalhe que deve ser observado é o tamanho da fonte. Sempre deve ser legível e na cor preta. Em minha opinião, a fonte do texto nunca deve ser menor que o tamanho 11. Você pode usar os recursos de negrito, itálico ou sublinhado para destacar as informações que forem necessárias como títulos, palavras-chave, etc. E não abuse das cores. Um currículo deve conter somente a cor preta, com exceção de dos currículos ou portfólios de designers e outros profissionais ligados à criação e arte.

 

8) Mentiras

Mentir nunca é bom. E em um currículo é pior ainda! Isso porque, por mais que você deseja demonstrar que tem capacidade para fazer isso ou aquilo por meio de seu currículo, quando você chegar à entrevista e estiver frente a frente com o recrutador, você poderá ser desmascarado. E isso será muito pior. Assim, não coloque em seu currículo que você fala inglês fluentemente se, na verdade, o seu nível de conhecimento no idioma é intermediário. Seja transparente em qualquer processo seletivo. Isso é essencial e começa desde a estruturação da escrita de seu currículo.

 

9) Tamanho do currículo

Alguns candidatos acham que o currículo deve ser bem explicadinho. Outros já são objetivos demais, omitindo muitas vezes informações importantes. Mas, há uma regra que pode ajudar aos candidatos a dosar o tamanho de seus currículos. Qualquer candidato em início de carreira, um currículo com uma página apenas já é o suficiente. Agora, para aqueles profissionais com mais experiência, o limite pode ser no máximo duas a três páginas. Já me deparei com currículos longos e, sinceramente, eles dão preguiça de ler. Além disso, documentos longos dificultam a localização das informações importantes e não ajudam na fixação das informações pelo recrutador. Assim, se você quer ser lembrado, trabalhe a sua capacidade de resumir e deixar aquilo que é realmente importante.

 

10) Não se esqueça da sua formação complementar

Cursos rápidos, palestras, oficinas, workshops, tudo isso também conta como pontos para o processo seletivo. Por isso, levante e escolha eventos que você participou que estejam relacionados com seu objetivo profissional e que demonstrem para o recrutador que você tem interesse e competência na área que deseja atuar. Procure não colocar cursos e atividades que não tenham relação com os seus objetivos profissionais. Isso pode denotar falta de foco para quem está recrutando. Cursos de línguas e informática devem ser colocados em tópicos específicos como “idiomas” e “informática”.

 

Bem, com essas regras básicas, você com certeza conseguirá melhorar muito o seu currículo e a suas chances de passar para a próxima etapa dos processos seletivos vigentes no mercado. Parecem ser coisas bobas, mas que com certeza fazem muita diferença e possuem muito peso em qualquer processo seletivo sério e estruturado de forma profissional.

Se você quiser tirar dúvidas sobre o assunto com a Altiva Foco em Pessoas, entre em contato pelo e-mail altiva@altivapessoas.com.br. Na próxima semana, no dia 10 de outubro de 2016, divulgaremos mais um texto da série “um currículo só serve se for bem feito” para lhe ajudar nesse posicionamento no mercado de trabalho. Falarei sobre as cinco competências fundamentais que podem ser reconhecidas somente pela análise de seu currículo. Não perca essas dicas que poderão te auxiliar a impulsionar a sua carreira de uma vez por todas!