Qual é a diferença entre educar e instruir?

“Um dos grandes equívocos da educação é perceber que algo não está dando certo e não fazer nada a respeito” (Ricardo Wardil).

Você já parou pra pensar no que há de errado com a educação no Brasil? Com certeza se cada um começar a listar as coisas que acredita serem necessárias de mudar, teríamos uma lista enorme. Mas de quem é a responsabilidade por tudo isso? Para responder isso, a Altiva Foco em Pessoas vai ajudá-lo a refletir um pouco mais a fundo sobre essa importante questão.

Primeiramente, é preciso distinguir em que esfera a educação realmente acontece: na escola ou na família? Com certeza, algumas pessoas citariam a escola, ou seja, o ensino formal ministrado em escolas públicas ou privadas. Mas, se buscarmos o conceitos de ambos os termos, perceberemos que a escola apenas auxilia em uma parte da formação necessária do indivíduo.

Educar × Instruir

Para compreender melhor a questão, é importante distinguirmos os conceitos de ambos os termos: educar e instruir. E para isso, a Altiva Foco em Pessoas estruturou uma breve explicação para deixar tudo isso bem claro para você.

O termo “educar” tem sua origem no latim educare e foi incorporado na língua francesa no século XIV como éduquer. A expressão chegou ao Brasil somente no século XVII graças à disseminação do uso e aplicação do termo por Rosseau (1762) em sua Emílio, hoje um clássico da literatura iluminista que marcou época com a sua visão inovadora acerca da vida das crianças. Atualmente, o termo “educação” pode ser conceituado como o processo educativo que busca introjetar e desabrochar valores, ainda adormecidos, na criança e que a auxiliem no seu desenvolvimento e relacionamento com o mundo.

Já “instruir” vem do latim instruere, assumindo, no passado, o significado de semear, lançar grãos ao solo, estender. No século XII o termo é incorporado no francês como enstruire, vindo a fazer parte da língua portuguesa somente no século XVI. Como podemos ver, instruir é um dos termos mais antigos para indicar o processo pedagógico, mas como sinônimo de um treinamento repetitivo e mecânico de passar adiante o conhecimento que adquirimos. Trata-se de possibilitar que o outro adquira novos conceitos, novas informações que contribuam para a sua formação intelectual. A presença do prefixo “in” dá a ideia de haver um movimento para dentro, implicando o ato de acumular na consciência informações e conhecimentos.

Altiva Foco em Pessoas

 

Com essa breve análise, podemos perceber que ambos os termos se completam ao se referir à formação do ser humano. Para desabrochar o adulto do amanhã, a criança precisa de ser educada e instruída, mas educar é mais profundo. Instruir é apenas repassar/transmitir conhecimentos. Educar significa orientar o ser para os enfrentamentos do futuro a partir da modelagem de suas tendências e da incorporação de valores que ajudem a criança a sustentar suas decisões na vida. Rosseau (1762) defendeu que educar é um processo natural, não artificial, e que se trata de um processo de conhecer a natureza da criança para ajudá-la a aprender e a se governar. Como diz Egídio Schmitz (1993, p. 18), “Educar não é apenas ensinar alguma coisa”. É muito mais que isso.

Então, qual é o problema da educação?

Seguramente, o problema da nossa educação não está concentrada somente na escola. Métodos de ensino defasados, formatos de sala de aula ultrapassados, não são os responsáveis pela desestruturação da criação das crianças. A análise dos conceitos acima abre nossos olhos para compreender que somente instruir não é o bastante para formar seres humanos conscientes e equilibrados. Cabe à educação real, realizada dentro do lar, essa missão de auxiliar na formação do caráter individual. E sem a base do lar e da família é impossível cumprir esse grande desafio que o mundo coloca para nós. Para fazermos a mudança na educação, é preciso atuar na família com vontade de obter mudanças, transformar o mundo a sua volta.

O papel dos pais com relação à educação

Não pretendo aqui aprofundar em todas as questões relacionadas a esse assunto, mas sim chamar a atenção para o seguinte ponto: a responsabilidade dos pais com relação à educação dos filhos. É possível perceber hoje a mudança de postura de muitos pais nesse quesito. Em vez de a família e de os pais assumirem a responsabilidade pela educação dos filhos, atualmente há uma inversão de valores. Pais e mães tendem a focar seus esforços na promoção de recursos físicos e financeiros para a sustentação da família, com a intenção de dar mais condições de vida para seus filhos. Com isso, acabam terceirizando sua principal função para babás, empregadas domésticas e para a própria escola. Com isso, em vez de a criança ir para a escola com uma base educativa de valores e comportamentos já iniciada, muitas vezes ela inicia sua jornada instrutiva com poucos alicerces morais construídos dentro do ambiente familiar.

A coisa piora quando os próprios pais cobram dessas instituições ou desses trabalhadores resultados que não lhes competem. Desejam que a criança introjete valores e comportamentos que ela não tem a oportunidade de vivenciar pelo exemplo dos pais, suas maiores referências.

Nesse sentido, voltando à frase de abertura deste post, nosso problema “é perceber que algo não está dando certo e não fazer nada a respeito” na educação de nossas crianças. Para melhorar a educação, a chave está dentro do lar. Ao potencializar a educação dentro de casa, melhorar o convívio em família, a relação com os nossos relacionamentos mais próximos, estaremos auxiliando a transformação da sociedade. Possibilitaremos o surgimento de pessoas mais equilibradas e efetivamente mais “humanas”.

Quer ler mais sobre esse ou outro tema, escreva para a Altiva Foco em Pessoas e repasse a sua sugestão. Entre em contato pelo e-mail altiva@altivapessoas.com.br. Espero as suas sugestões. Até a próxima!