A importância de uma boa comunicação com as crianças

“O mundo em que vivemos é aquilo que fazemos dele. Se hoje é impiedoso, foi porque nossas atitudes o tornaram assim. Se mudarmos a nós mesmos, poderemos mudar o mundo, e essa mudança começará por nossa linguagem e nossos métodos de comunicação”. (Arun Gandhi, Fundador e presidente do M. K. Gandhi Institute for Nonviolence)

 

A forma como nos comunicamos e interagimos uns com os outros influencia fortemente a nossa vida. Podemos afirmar que grande parte dos problemas gerados no nosso cotidiano têm suas origens na comunicação mal estruturada e com as falhas de interpretação. Você se lembra da brincadeira do telefone sem fio? Pois é. Todos nós já passamos por situações em que um fala “X” e o outro entende “abobrinha”.

Nesse contexto, se formos analisar de forma bem simplista como nos comunicamos no nosso dia a dia, podemos perceber que, em grande parte das situações, nós falhamos, com “F” maiúsculo, ao tentarmos nos expressar ou transmitir o que desejamos ou sentimos por falta de coesão e clareza na forma como ordenamos nosso pensamento e a dinâmica de nos expressarmos. Todos nós temos dificuldades em nos comunicarmos assertivamente com os outros. Isso é um fato!

Mas, para compreendermos melhor os motivos que nos levam, repetidas vezes, a vivenciar situações nas quais há essas trocas de sentidos e entendimentos, sugiro fazer um breve parêntese antes de tudo para apresentar alguns pontos sobre o processo da comunicação. No fim do texto, você compreenderá o que estou propondo!

Conhecer como nos comunicamos para reconhecer melhorias

Essas falhas de comunicação que falamos rapidamente acima ocorrem porque o processo de comunicação é bastante dinâmico e ainda é influenciado por diversos elementos. Para compreender isso um pouco melhor, apresento a seguir um diagrama que ilustra esses diversos aspectos que fazem parte do processo de transmissão de uma informação.

Altiva Foco em Pessoas

 

Bem, basicamente o processo de comunicação é assim. De um lado está o emissor, ou quem está falando, e do outro lado está o receptor, quem recebe a mensagem. A mensagem é o que se deseja transmitir, ou seja, o conteúdo da mensagem que é transmitida somente pelo uso de algum canal de comunicação (que podem ser vários: uma conversa face a face, um aparelho celular, um texto no formato de um bilhete, e-mail ou WhatsApp, ou até mesmo sinais corporais). Para transmitir um conteúdo, o emissor tem de codificar a mensagem, seja em palavras faladas, escritas ou gestos. Assim, o receptor capta, decodifica e compreende a mensagem. Isso o possibilita a dar um retorno (ou feedback) para o emissor. Nesse sentido, caso a mensagem não for codificada adequadamente, estruturada utilizando palavras e frases de acordo com as capacidades de cada receptor, de nada adianta. A mensagem, por mais bela que seja, não será bem compreendida nem mesmo assimilada!

Ah, mas o que isso tem a ver com o meu filho?

Bem, chegamos ao ponto que eu desejava. Vimos anteriormente que o processo de comunicação necessita de um certo cuidado e de um direcionamento para conseguirmos nos comunicar com os outros, seja no trabalho, na vida social ou em família. E essa barreira também se aplica na comunicação dos pais em relação aos filhos. Além das limitações cognitivas, totalmente normais, pois a criança ainda é um ser em desenvolvimento, na infância, nossos pequenos podem apresentar algumas dificuldades em se comunicar com os outros. São algumas delas:

  1. Vocabulário em desenvolvimento: à medida que a criança cresce e convive com os pais e com outras pessoas, ela desenvolve a linguagem. Por isso, o vocabulário dela é restrito, pois está aprendendo a cada dia a língua, suas expressões, termos e conceitos;
  2. Estruturação do raciocínio lógico: as conexões neurais da criança estão em formação e por isso seu pensamento não é muito linear. À medida que cresce, a criança desenvolve a concentração e aos poucos consegue focar a atenção por mais tempo em uma atividade;
  3. Distinção de seus sentimentos: a criança não consegue diferenciar e reconhecer os sentimentos que emergem em seu íntimo de forma clara. Isso torna a tarefa de associação de sentimentos com palavras, conceitos e termos muito específicos difícil para elas. Ela aprende, com o tempo, a fazer essa distinção e os pais podem ajudá-la nesse aprendizado. Por isso, cabe aos pais ajudá-la a expressar seus sentimentos, promovendo a construção de sentido entre sentimentos e palavras.

Esses três itens impactam a comunicação entre um adulto e uma criança. Se para nós, adultos, muitas vezes é difícil falarmos dos nossos sentimentos, de encontrar as palavras certas para traduzir e descrever o que realmente desejamos, queremos, sentimos, imagine para a criança que ainda não tem a mente trabalhada para tudo isso? Por isso é importante os pais e os educadores se conscientizarem e trabalharem melhor a comunicação com a criança.

Aurun Gandhi, neto do lendário Mahatma Gandhi, expressa com maestria a importância da comunicação para a sociedade atual. A frase de abertura demonstra que a nossa mudança inicia na linguagem, na forma de nos comunicarmos. Por isso, melhorar a comunicação dentro dos lares é o ponto de partida para a formação de cidadãos mais conscientes do seu papel como ser humano.

Esse é uma das bases do nosso programa Incubadora de Pais da Altiva Foco em Pessoas. Se quiser conhecer mais sobre a nossa proposta, acesse a página do programa. Ou se desejar, entre em contato diretamente com a Altiva Foco em Pessoas pelo e-mail altiva@altivapessoas.com.br.