O tal do “medo de falhar”

“O medo dá a medida das qualidades do valor”. (Virgílio)

 

Auxiliar pais e mães na sua grande missão de criar os filhos com boas bases morais e educacionais é uma das propostas da Altiva Foco em Pessoas. E o blog vem como uma ferramenta de promover essa comunicação e trazer à tona algumas reflexões que são válidas para o dia a dia da família.

Hoje, vou discorrer um pouco sobre algumas observações que eu pude fazer principalmente no discurso de alguns pais com relação à sua missão de criar e ser responsável na formação dos filhos. Captando alguns comentário e até mesmo desabafos de alguns pais pude perceber que muitos carregavam o mesmo sentimento em relação à orientação das crianças: o medo de falhar. Basicamente, percebi que grande parte dos pais com que eu tive oportunidade de ter contato, alimentava o medo de os filhos não serem capazes de dar uma criação adequada às crianças.

A origem desse medo está atrelada às altas expectativas que nós mesmos estabelecemos em nossa vida e para a vida dos nossos filhos, e pode estar relacionado a dois fatores básicos:

  • Medo dos filhos não conquistarem sucesso financeiro, profissional e/ou realizações pessoais
  • Medo dos filhos não se tornarem pessoas de bem, boas, honestas e corretas nos diversos campos da vida.

Isso tudo acontece porque somos muito exigentes. Temos de ser perfeitos em tudo! Temos de ter o melhor carro, a melhor esposa ou marido, o melhor emprego, a melhor casa, as melhores roupas, os melhores filhos. Com isso, nos fixamos em padrões rígidos de como “temos” que ser e de como desejamos que os outros sejam. E as nossas principais vítimas estão na nossa família. Exigimos de nós uma perfeição que ainda não temos. E, para piorar, criamos expectativas de que os outros atenderão aos caprichos do nosso ego. Ou seja, criamos nossas próprias algemas na cadeia da ilusão que só geram dor e mágoa.

De onde vem o medo?

Nesse caso, esse sentimento provém do nosso pensamento egoísta que apenas quer que suas vontades mais pueris sejam satisfeitas, sem considerar o desejo e o poder de escolha do outro. Ele surge quando sentimos que não temos ou perdemos o controle sob alguma situação. Com isso, sofremos, “morremos” de preocupação, ficamos desconfortáveis, incomodados, ansiosos, inquietos. Todos esses sentimentos têm a sua origem no medo. Ou seja, somos, nesses momentos, controlados pelo medo.

E tudo isso acontece sem percebermos. O medo surge na vida de pais e mães em diversos momentos do dia a dia da família. Qual a mãe que, na hora de tomar uma decisão de como dar limites ao filho, não pensa nas consequências de sua ação com medo de gerar um trauma para a criança? Qual o pai que, ao se sensibilizar com determinada situação, não demonstra seus sentimentos verdadeiros e não chora na frente do filho com medo de dar o exemplo ao filho de sentimentalismo barato ou fraqueza? São alguns exemplos que ilustram rapidamente alguns dos medos que os pais criam e carregam na criação dos filhos.

Uma luz aqui, por favor!

Na minha visão, a grande chave para tudo isso está no amor. Mas não somente no amor aos filhos (que também é muito importante), mas sim no amor a nós mesmos! Acredito que a primeira coisa que todo pai e mãe deve fazer ao ter ou querer ter um filho é tomar consciência da sua realidade, da sua essência como ser humano. Para isso, é fundamental reconhecer os diamantes e as pedras que carregamos. Reforço aqui um dos pilares da Incubadora de Pais, o autoconhecimento.

Todos nós somos proprietários de virtudes e, o que podemos chamar, de “não virtudes”, de luz e sombra. Reconhecer quem realmente somos, assumir nossas qualidades e nossos  defeitos, faz parte de um compromisso que podemos assumir para a nossa autotransformação de acordo com os nossos limites. É nisso que está a beleza da nossa vida! Somos capazes de mudar, de deixar nossas dores e transformá-la em aprendizados ricos que nos ajudem a traçar novos rumos de vida.

Assim, para não dar poder ao medo, pais e mães devem assumir posturas mais abertas consigo mesmos para que isso reflita na relação com os filhos, promovendo maior proximidade e diálogo no lar. Abrir seus corações, seus sentimentos, e demonstrando também suas limitações. Por que não???

Para exemplificar isso, vamos tomar como base o seguinte exemplo. O filho não obedece a mãe quando ela determina que ele precisa arrumar o quarto. Diante da quebra do acordo, a mãe sente a necessidade de aplicar uma punição ao filho já que ele não teve as atitudes coerentes, mas ela se sente insegura de qual atitude tomar. Se ela se deixa dominar pelo medo, com certeza ela terá não vai corrigir o filho da maneira adequada, amenizando a punição necessária para a construção dos limites na criança. Mas, se ela reconhece o seu amor, por ela mesma e pelo filho, e coloca os limites necessários por  reconhecer a importância disso para a formação do caráter do filho, com base no diálogo e na transparência, ela deixa claro para a criança seus motivos da punição, reforça os comportamentos corretos e a relação de amor entre eles.

Pais e mães, o medo de errar é normal. Mas se cada um assumir o seu poder na criação dos filhos com base no amor próprio, o medo vai aos poucos indo embora. Traumas, erros, deslizes na criação dos filhos vão sempre acontecer. Isso é inevitável! Somos falíveis e não precisamos fingir que não somos para nossos filhos por medo (olha ele aí novamente!) de não conquistarmos o respeito e a admiração deles.

Lembrem-se de que você é o espelho, o exemplo para seus filhos. É a principal referencia que eles têm na vidas. O importante é que vocês mantenham o canal do diálogo aberto com suas crianças e jovens para que eles expressem também o que eles sentem e, assim, ajustem os conflitos e os transformem em ricos aprendizados.

Quer ter acesso a outros posts sobre a vida em família, então acesse o blog da Altiva Foco em Pessoas e confira os textos publicados. Lá você encontra textos que fazem parte do nosso programa “Incubadora de Pais”, que visa auxiliar pais e mães a avançarem no seu autoconhecimento e transformar a sua relação com seus filhos. Se você deseja mais informações sobre esse programa, entre em contato com a Altiva Foco em Pessoas e tire as suas dúvidas. Ou acesse a página do programa