Valores: ou você tem ou sabe lá o que!

Anteriormente, aqui no blog da Altiva Foco em Pessoas, tivemos a oportunidade de falar e entender um pouco os conceitos de ética e moral, além de compreender o motivo pelo qual é importante que os pais compreendam esses conceitos. Agora, para dar continuidade, precisamos acrescentar aos termos de ética e moral mais um conceito: o valor.

Podemos compreender os valores como qualidades ou características eleitas livremente e conscientemente ou não pelo indivíduo, que servem como norteadores de suas decisões, seus comportamentos, suas ações e seus sentimentos. Eles podem ser positivos ou negativos, mas somente serão justos se estiverem alinhados com as questões de ordem moral.

Altiva Foco em Pessoas

A aquisição e o fortalecimento dos valores estão bastante associados a nossa educação e ao convívio dentro do ambiente familiar. Não digo que não adquirimos valores na escola ou com nossos amigos, mas é fato que eles são mais facilmente transmitidos e assimilados dentro do lar, na infância, período quando criança tem mais exposição e abertura aos conceitos e exemplos.

Valores e crenças

Paralelamente aos valores, existem as crenças, que apesar do que muitos acreditam, não são a mesma coisa. As crenças são aquilo que acreditamos como verdade e que se torna a nossa realidade, interna e externamente. Assim como os valores, as crenças podem ser positivas ou negativas, sendo que algumas delas acabam se transformando em ilusões que nós mesmos criamos ou introjetamos como sendo uma verdade, uma realidade. Mais à frente daremos um enfoque maior na diferenciação e exemplificação entre valores e crenças. Mas, por agora, a intenção é somente fazermos um paralelo para analisarmos a relação entre a moral e os valores em nossas vidas.

Como aplicamos esses conceitos na nossa vida

Com base em tudo o que foi dito, podemos afirmar que cada sociedade ou grupo está imerso em determinados preceitos éticos e morais e, consequentemente, em determinados valores. Mas cada um de nós tem a liberdade de eleger os valores que nos são caros, seja pela vivência familiar ou pela sensibilização diante os desafios da vida. É possível perceber essa distinção de valores analisando as pessoas que compõem os variados grupos de convívio e relacionamento dos quais participamos: no trabalho, na faculdade, na igreja.

Algumas dão mais importância e praticam valores diferentes das outras. Por exemplo, apesar de comungarmos dos mesmos princípios éticos e morais, podemos valorizar efetivamente aspectos diferentes na vida. Há pessoas que dão mais importância para a família. Outras para os bens materiais, para o desenvolvimento intelectual ou para a espiritualidade. É dentro dessa dinâmica que construímos os norteadores de nossas vidas e conseguimos decidir qual o caminho devemos seguir.

O que acontece é que, apesar do conhecimento que o indivíduo possui de quais são princípios éticos e morais do grupo ou sociedade que ele integra, os valores que são adotados podem não estar alinhados com o que conceitualmente se prega. Assim, se nos olharmos mais de perto e aplicarmos um “raios X” na nossa moralidade, veremos que muitas vezes falhamos em pequenos pontos. É claro que estou falando de modo geral e que existem, sim, pessoas que têm uma conduta impecável. Porém, a grande maioria de nós é ciente desses princípios morais, mas, por vezes, para garantir um benefício individual ou alimentar nosso egoísmo, burlamos algumas leis morais.

Vamos ver como funciona

Para ilustrar isso, vou contar uma situação que presenciei. Outro dia, estava assistindo ao jornal local e vi uma reportagem falando sobre o problema das filas duplas na frente das escolas. O repórter foi até a porta de uma escola particular (e detalhe: uma escola, no mínimo, para famílias de classe média alta!) na região centro-sul da cidade para mostrar o que estava acontecendo. Nisso, ele mostrou uma fila de carros parados em fila dupla na porta dessa escola e me chamou a atenção uma das entrevistadas. Era uma mãe que esperava a filha adolescente sair da aula. O repórter perguntou se ela sabia que era proibido parar em fila dupla e ela afirmou que sim, que sabia. Mas logo comentou que parou ali porque era rapidinho. Enquanto ela falava isso, a filha entrou no carro e presenciou o que a mãe falava. No decorrer de tudo isso, o trânsito do local só foi piorando, tornando-se muito lento por causa do bloqueio de uma das pistas que o “carrão” daquela senhora estava provocando. O repórter continuou o seu trabalho e insistiu lançando uma nova pergunta para aquela senhora. Ele virou para ela e questionou: “Mas a senhora está vendo o que você está fazendo com o trânsito aqui do local?”. Ela simplesmente respondeu “Todo o mundo faz isso. E é super rapidinho. Não tem problema”.

Qual é a moral da história?

E aí, você percebeu o que aconteceu nessa história? Em princípio, pela classe social que ela pertence, pela idade, grau de instrução, que se pressupõe que ela possui, essa mulher recebeu e conhece a ética e a moral da cidade e do país em que ela vive. Com isso, não seria condizente para ela dizer que não sabia que parar em fila dupla é uma transgressão das leis de trânsito e das regras da sociedade. Mas ela burlou essas regras para obter um benefício individual, de não ter de parar o carro em outro lugar, ter de sair do veículo, caminhar para pegar a filha e retornar. Na sua mente, ela está facilitando a sua vida. Porém, na verdade, ela está desrespeitando algumas regras que garantem o bom convívio em sociedade e o direito dos outros cidadãos.

E sabe o que é o pior de tudo? Ela fez tudo isso na frente da filha, reforçando nela o conceito distorcido de que eu sempre tenho de me favorecer com as situações, mesmo sem respeitar o direito dos outros. Ao invés dessa mãe basear a sua ação em cima de valores de respeito ao outro, colaboração, respeito ás leis, ela reforçou somente o benefício próprio.

O tempo todo nós tomamos decisões e agimos com base nos valores que carregamos. A maioria desses valores que carregamos hoje foram adquiridos quando ainda éramos crianças, seja pela educação formal ou pela observação das atitudes de nossos pais. E hoje, como pais e adultos, somos nós o alvo da atenção e a referência dos pequenos. Por isso, é importante pararmos e refletirmos que tipo de valores estamos transmitindo para as crianças, até mesmo nas pequenas atitudes para conseguirmos ter clareza do tipo de valores que estamos comunicando e ressaltando como importantes.

Altiva Foco em Pessoas

Quer saber como fazer isso? Reflita quais as atitudes você reforça na frente de seus filhos e analise quais delas representam valores positivos ou negativos. Assim, você poderá ter mais consciência do tipo de mensagens que está transmitindo a seus filhos e ter a oportunidade de corrigi-las o quanto antes.

Se precisar de ajuda com essa tarefa, escreva para a Altiva Foco em Pessoas que ajudarei no que for possível. Revise também os conceitos sobre ética e moral publicados aqui no blog da Altiva Foco em Pessoas. Clique aqui e acesse. Semana que vem tem mais. Abraços!